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Poder público · 25 de setembro de 2026 · 6 min

BNCC Computação e VAAR 2027: o referencial foi aprovado. E a sala?

A condicionalidade V do Fundeb passou a exigir referencial de Computação aprovado. O documento habilita a rede. Quem cumpre a norma é a aula.

O que mudou no ciclo 2026/2027

Até o ciclo anterior, a rede informava se o seu referencial curricular contemplava a Computação. A falta não inabilitava.

Com a Resolução CIF nº 24, de 15 de junho de 2026, isso mudou. Para receber a complementação-VAAR do Fundeb em 2027, a rede precisa comprovar referencial curricular alinhado à BNCC e às Normas de Computação na Educação Básica — o complemento à BNCC instituído pela Resolução CNE/CEB nº 1/2022. Quem não comprovar fica inabilitado na condicionalidade.

O registro foi feito no Simec. O prazo, prorrogado pela Resolução CIF nº 28/2026, terminou em 15 de setembro.

O que a rede precisou mostrar

  • Referencial curricular alinhado à BNCC, aprovado pelo sistema de ensino. Rede já habilitada antes fica dispensada de comprovar de novo.
  • Referencial alinhado às Normas de Computação, aprovado depois de 4 de outubro de 2022 — ou adesão ao referencial do estado que já contemple a Computação.
  • Resposta às diligências do MEC, dentro do prazo. Diligência sem resposta também inabilita.

O que o VAAR confere, e o que ele não confere

O VAAR confere documento: existe referencial, foi aprovado, contempla Computação.

Ele não entra na sala. Não pergunta quem dá a aula, com que material, com que formação. E habilitar-se não garante o recurso: a rede ainda precisa mostrar avanço em indicadores de atendimento e aprendizagem.

A BNCC Computação, por sua vez, não é documento. É componente com habilidades descritas por etapa, nos três eixos: pensamento computacional, mundo digital e cultura digital. O referencial aprovado diz o que o aluno deve aprender. Alguém precisa ensinar.

Três perguntas para a secretaria agora

  1. O referencial aprovado nomeia as habilidades por etapa, ou só cita a norma? Referencial que só cita a resolução habilita, mas não orienta ninguém na escola.
  2. Quem dá a aula? Computação no Infantil é sequência, espaço e linguagem — a professora de sala dá conta, se tiver formação. No Fundamental, entram montagem, sensor e programa escrito. Sem formação continuada, o kit fica no armário.
  3. O que a escola recebe para cada eixo? Pensamento computacional e mundo digital pedem material que execute e meça. Cultura digital pede livro, combinado de sala e professor preparado. Nenhum kit cobre os três sozinho.

O que entra no edital

A compra que sustenta o referencial não é “kit de robótica”. É o conjunto, por etapa:

  • kit adequado à etapa — robô de chão no Infantil, kit de mecatrônica no Fundamental;
  • software em português, com coleta de dados;
  • material impresso para aluno e professor;
  • formação continuada, com carga horária e reposição;
  • suporte técnico e peças de reposição nacionais;
  • origem identificada: produto manufaturado nacional, nos termos da Lei 14.133/2021.

O detalhamento por eixo está em BNCC Computação. O que a comissão costuma pedir está em Poder público.

Se a rede não comprovou

Primeiro, acompanhar as diligências no Simec: é por elas que ainda se corrige o registro deste ciclo. Depois, olhar o referencial do estado — a adesão é um caminho previsto quando ele já contempla a Computação. E começar a formação antes do próximo ciclo, não depois.

Fontes

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