Robótica estimulando as carreiras de tecnologia

Robótica estimulando as carreiras de tecnologia

Atual universo tecnológico predominantemente masculino tende a se tornar mais igualitário com as novas gerações que já se familiarizam com a Ciência e Tecnologia trabalhadas na prática

No Brasil, 83% do quadro de colaboradores das empresas de Tecnologia é formado por homens. A área é sabidamente muito mais masculina do que feminina e Google, Twitter, Apple e Facebook atestam essa desigualdade: somente uma média de 30% das colaboradoras são mulheres. Em um universo tão masculino, algumas profissionais do segmento se destacam liderando, coordenando e se mobilizando para ajudar o setor a crescer e se desenvolver técnica e socialmente, incentivando, inclusive, mais mulheres a despertarem a paixão pela Ciência e Tecnologia. É o caso de Tatiana de Figueiredo Pereira Alves Taveira Pazelli,

 

Final da OBR 2016 em Recife, PE

Professora Doutora do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de São Carlos e Vice-Coordenadora Geral da Olimpíada Brasileira de Robótica. A engenheira eletricista é uma das responsáveis pela organização do evento que cresce a cada ano. Em 2016, em sua 10ª edição, a OBR contou com 110 mil participantes de escolas dos ensinos fundamental, médio ou técnico. Em termos gerais, desde o início das Olimpíadas, 55% dos participantes foram homens e 45% mulheres, demonstrando que esse tipo de evento é também um estímulo para a disseminação do interesse pela Tecnologia para meninas e adolescentes que serão as nossas futuras profissionais.

“Vemos nas competições algumas equipes compostas somente por meninas, que destacam essa característica. Existem programas de incentivo das próprias escolas ou de agências públicas de financiamento que visam aumentar a participação de meninas em atividades ligadas à tecnologia”, afirma a vice-coordenadora. Segundo ela, a Robótica possui uma característica multidisciplinar que possibilita a identificação de diversas habilidades e o desenvolvimento de capacidades, inseridos em um processo de aprendizagem disfarçado como uma divertida brincadeira. “E essa característica faz despertar o interesse e a curiosidade das crianças e jovens nas carreiras de desenvolvimento tecnológico, e consequentemente, nas disciplinas que se tornam ferramentas para essa atividade. O acesso ao ensino tecnológico é uma excelente oportunidade para qualquer indivíduo”, complementa.

A docente, que desde pequena sempre teve interesse em entender “como as coisas funcionavam”, conta que o domínio masculino na área ainda é um mistério para ela. “É muito divertido transformar um conjunto de peças de metal e plástico em algo que se move e acende”, brinca. No entanto, segundo ela, o cenário predominantemente masculino tende a mudar, se tornando pouco a pouco mais igualitário. “Vemos na participação das meninas da OBR que o interesse é bem distribuído. Arrisco creditar essa evolução do interesse feminino em carreiras tecnológicas à maior liberdade de escolha que a própria família, escola e a sociedade passaram a oferecer”, atesta.

Seria então essa disparidade um problema cultural surgido na infância? Pesquisadores afirmam que sim: na geração dos profissionais de hoje, meninos ganhavam computadores ou jogos eletrônicos e meninas bonecas e panelinhas. Um exemplo, é que segundo a obra Unlocking the Clubhouse: Women in Computing (“Entrando no clubinho: mulheres na computação”), da pesquisadora Jane Margolis, metade das famílias americanas coloca o PC doméstico no quarto do filho homem.

Projeto Robótica na Escola: meninas
apaixonadas por tecnologia desde cedo

Fato é que esse estímulo igualitário ajuda a formar as cidadãs de amanhã que saberão enfrentar com segurança o mercado de trabalho ao optarem pela profissão que realmente desejarem, com embasamentos de todas as áreas da educação recebidos na infância. Tatiana é exemplo a ser seguido; além da coordenação da OBR, ainda faz parte do projeto Robótica na Escola, que nasceu sob a coordenação do prof. Rafael Aroca, atual Coordenador Geral da OBR. O projeto consiste em levar, juntamente com alunos da graduação, aulas de Robótica para estudantes dos ensinos fundamental e médio de escolas públicas de São Carlos. Além disso, em parceria com a pesquisadora Danitiele Calazans, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação Especial da UFSCar, oferece oficinas de Robótica a crianças de 6 a 12 anos identificadas com altas habilidades.

“A sensação de participar da construção do interesse dessas crianças na área de tecnologia, observá-las descobrindo as ferramentas, desenvolvendo o raciocínio e projetando algoritmos, é uma realização incrível”, relata Tatiana, que vence seus desafios diários como mulher, profissional, mãe, filha, esposa. “Procuro não enxergar preconceitos em críticas ou escolhas que não me contentam. Na minha opinião, atribuir nossos fracassos a qualquer tipo de preconceito, mesmo que tenha realmente existido, limita nossa capacidade de superação”, enfatiza.

Fonte: Assessoria PETE

 

PETE Robótica Educacional
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