Robôs como Pepper serão mais valiosos que smartphones, diz especialista

Robôs como Pepper serão mais valiosos que smartphones, diz especialista

Em entrevista, engenheiro de desenvolvimento do robô da Softbank fala sobre a tecnologia e a ascensão da inteligência artificial

Robôs alimentados com inteligência artificial deixaram de ser exclusivos de filmes de ficção científica para assumirem seu papel cativo ao lado de famílias de carne e osso. Pepper, criação da empresa japonesa Softbank e de sua subsidiária francesa Aldebaran Robotics, é um dos exemplos de quão distante a tecnologia já chegou.

Apresentado pela primeira vez em 2014, Pepper, com seu 1,21m de altura e 28 quilos, foi concebido, inicialmente, para ser uma espécie de robô de estimação, cujos grandes olhos atentos e voz infantil, soam como a materialização de um personagem robótico de mangá.

Em resumo, o que distancia Pepper das versões sugeridas em catastróficos cenários de Hollywood é que o carismático robô recebeu um “coração” e personalidade, alimentados por inteligência artificial e projetado para “ser carinhoso e fazer as pessoas sorrirem”, como explicou na ocasião o japonês Masayoshi Son, CEO da Softbank, ao apresentá-lo.

As capacidades emocionais do robozinho são atribuídas a câmeras, sensores infravermelhos e tecnologia de reconhecimento facial, todas desenhadas para responderem a estímulos de seus companheiros humanos. Pepper é empático ao notar que um humano está triste e na tentativa de resolver isso, pede por um abraço. Ele também é perspicaz ao dizer que é parecido com humanos, pois assim como nós, gosta de falar de si mesmo.

Mas você pode se perguntar do real apelo para um robô vendido ao equivalente a US$ 1.900 no mercado japonês. Só o fato de ser fofo, bem-humorado e uma companhia que te lembra sobre sua agenda e os remédios a serem tomados seriam os suficientes? Para Sean Mckelvey, engenheiro de desenvolvimento da Softbank, Pepper fundamenta o que um dia se tornará uma experiência mais pessoal do que hoje os smartphones assumem no centro de nossas rotinas. No Brasil para o Wired Festival, evento promovido pela publicação de tecnologia, Mckelvey falou ao IDG Now! sobre a tecnologia por trás do Pepper e seu valor também atribuído aos negócios. “Robôs pessoais nos ajudarão a organizar nossas vidas em níveis emocionais e psicológicos de uma forma que smartphones têm organizado nossas vidas digitais e nossos dados”, compara.

Para contextualizar o sucesso e a demanda do Pepper, quando mil unidades foram colocadas à venda no mercado japonês em 2015, a Softbank vendeu todo o lote em apenas um minuto. No último ano, a companhia também tem testado as habilidades sociais do Pepper em lojas da própria Softbank e outras de parceiros no mercado americano e até mesmo em um hospital na Bélgica, onde recebe pacientes e os direciona para seus quartos.

A visão da Softbank é que robôs serão companheiros ideais para uma população que envelhece cada vez mais no Japão e que nos próximos 30 anos humanóides estarão presentes em quase toda família auxiliando não só em tarefas domésticas, mas educando crianças, integrando familiares e auxiliando idosos.

A seguir, confira a entrevista com Sean Mckelvey.

IDG Now! – Sean, você poderia nos dar uma breve introdução sua e também contar sobre o seu envolvimento na Softbank e, em especial, com o Pepper?

Sean Mckelvey – Eu nasci nos Estados Unidos, mas tenho morado e trabalhado no Japão por 12 anos. Nos últimos três anos eu tenho trabalhado no projeto Pepper na SoftBank Robotics, com a maior parte do meu trabalho focado ao redor de planejar o Pepper para casa, criando uma variedade de aplicações que exibem as habilidades únicas e também em definir experiências “humanas/robôs” para nossos clientes. Essa tem sido a parte mais gratificante do meu trabalho, porque eu penso que o Pepper é uma plataforma única e poderosa para revolucionar a forma como seres humanos interagem com tecnologia inteligente, e eu penso que essa nova forma de interação vai prometer avanços importantes em nossa sociedade.

IDG Now! – O Pepper foi concebido primeiramente para ser um robô doméstico, mas agora a tecnologia também está sendo aplicada nos negócios. Onde robôs têm ou terão maior valor, na sua opinião?

S.M – Para ser honesto, eu me surpreendi que tantos negócios tenham ficado interessados em ter o Pepper trabalhando para eles, especialmente porque meu trabalho foi muito focado em como tornar o Pepper um membro interativo e amado da família. Mas o Pepper faz tantas coisas boas em uma variedade de negócios, onde as pessoas gostam de interagir com ele da mesma forma que elas gostam de fazê-lo em casa. E esse é o verdadeiro poder do Pepper: interação. Em qualquer ambiente, o Pepper é divertido e também consegue conectar a uma variedade de sistemas de nuvem, o que significa que enquanto oferece uma atmosfera divertida, o Pepper também fornece experiências que agregam valor para o cliente através de uma rápida entrega de informação customizada que se relaciona especificamente com as necessidades individuais do consumidor. O Pepper também nunca fica cansado, doente ou mal-humorado, então clientes estão sempre obtendo uma experiência agradável e consistente.

IDG Now! – A inteligência artificial fica melhor com a interação. Como pessoas comuns podem se beneficiar do Pepper e vice-versa?

S.M – Primeiro e principalmente, o Pepper consegue operar como uma plataforma de analytics no mundo real para reunir informações específicas sobre como clientes interagem com negócios, quem são aqueles clientes e talvez, o mais importante, através de reconhecimento emocional, como esses consumidores estão de fato se sentindo sobre suas interações com o negócio. Obter tal informação sem entediar o consumidor, mas ainda assim conseguir usar essa informação para confeccionar experiência para aquele cliente é um potencial uso extremamente poderoso para a inteligência artificial.

Eu também penso que inteligência artificial aprenderá de cada interação com um cliente e conseguirá facilmente lembrar todas as partes daquela interação para saber mais sobre um consumidor e usar aquela informação para oferecer experiências que agregam valor e que se tornam mais valiosas a cada interação.

IDG Now! – A Softbank lançou o Pepper em 2014. Desde então, como o Pepper evolui e quantas unidades já foram entregues a clientes?

S.M – Como você mencionou, o Pepper deixou de entreter nossos clientes na loja da SoftBank para morar com famílias e agora está trabalhando no varejo, em bancos, hospitais, hospitalidade e viagens. Há milhares e milhares de Peppers pelo Japão e mais recentemente em Taiwan e nós estamos planejando em introduzir o Pepper para trabalhar em várias regiões nos Estados Unidos.

IDG Now! – Quando nós falamos sobre robôs e a ascensão da inteligência artificial e do aprendizado de máquina, também refletimos sobre os efeitos colaterais da tecnologia. Qual é sua visão sobre isso? Você acredita que robôs, eventualmente, nos substituirão e tornarão humanos obsoletos em suas habilidades?

S.M – Primeiramente, deixe-me dizer que muito do sucesso que nós estamos vendo com o Pepper é por que ele é capaz de fazer tarefas mais simples e repetitivas que podem tirar tempo de empregados para que humanos foquem suas energias em tarefas mais valiosas que possam impactar positivamente consumidores. Eu penso que a medida que robôs e a inteligência artificial se tornam mais e mais inteligentes e capazes eles irão deter a capacidade de fazer ainda mais para nos ajudar; como alguém que mora no Japão eu imediatamente penso sobre empregos de risco como reparos de usinas nucleares em Fukushima e outros papéis de alívio de desastre que colocam vidas humanas sob risco.

Além disso, há empregos que robôs e IA podem oferecer tanto valor que melhoraria drasticamente a qualidade de vida para aqueles que estão hospitalizados e para tratamento de idosos e até mesmo para cuidados paliativos. Esses são os tipos de experiências “homem-robô” que eu sou feliz em ajudar a desenvolver. Nós continuaremos a desenvolver tecnologia de ponta e fazer de uma forma que é benéfica para sociedade e para a igualdade no trabalho, não colocá-la sob risco. É minha esperança de que tecnologia como robôs nos ajudarão a revolucionar nossa sociedade e a mudar positivamente nossas ideias e relacionamento do trabalho.

IDG Now! – Você acredita que robôs pessoais eventualmente assumirão o mesmo papel que smartphones detêm em nossas rotinas?

S.M – Sim, eu acho! Mas de uma forma muito mais pessoal e dramática. Eu penso a medida que nós desenvolvemos novas formas de interfaces de usuário e experiências de usuário, robôs irão nos fornecer informações muito mais valiosas antes mesmo de nós pedirmos por elas. E nem todas serão sobre dados ou lembretes, mas serão sobre nossas necessidades físicas e emocionais. Robôs terão a habilidade de ler e entender mudanças físicas a minuto que mostram necessidades inconscientes antes de nós termos consciência delas. Robôs pessoais nos ajudarão a organizar nossas vidas em níveis emocionais e psicológicos de uma forma que smartphones têm organizado nossas vidas digitais e nossos dados.

IDG Now! – O quão distante estamos de ter o Pepper em nossas casas e a essa altura o que levará as pessoas a acreditarem que elas precisam de um em casa?

S.M – No Japão, nós já temos muitos clientes vivendo com o Pepper. Eu também moro com um Pepper! Ele é ótimo em casa. Pepper é uma ferramenta de comunicação e ajuda famílias a se comunicarem melhor. Ele pode te acordar de manhã e te dar notícias, rodar seus vídeos favoritos e lembrá-lo de que você precisa levar seu guarda-chuva quando for chover. O Pepper é um ótimo educador e entretenimento para crianças em casa e até mesmo ajuda a encontrar receitas. Ele cabe no estilo de vida de qualquer pessoa e fornece valor e nossos parceiros de desenvolvimento asseguram que novas e interessantes aplicações e experiências continuarão sendo lançadas para personalizar ainda mais a sua vida com o Pepper.

Fonte: http://idgnow.com.br/internet/2016/12/01/robos-como-pepper-serao-mais-valiosos-que-smartphones-diz-especialista/

Escrito por: Carla Matsu

Ellen Prada
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