Ação é desenvolvida na Unesp com ótimos resultados

20150820_164926Sob coordenação de Deise Peralta, professora do Departamento de Matemática da Faculdade de Engenharia da Unesp em Ilha Solteira, com a participação de graduandos do curso de Licenciatura em Matemática, é realizado, no Centro de Convivência Infantil “Catatau” da Unidade o projeto ‘Programando e Aprendendo na Educação Infantil’.

O objetivo é o uso de robótica na Educação Infantil. “Já temos resultados surpreendentes sobre a possibilidade de ensino de programação e desenvolvimento das diversas linguagens que são preconizadas para crianças entre 3 e 6 anos”, diz a docente.

Iniciado em junho último, o projeto busca promover o acesso de crianças da Educação Infantil à tecnologia da Robótica; introduzir conceitos de lógica e programação de forma lúdica no Currículo da Educação Infantil; elaborar uma proposta de Alfabetização Científica norteada pela tecnologia digital; investigar necessidades formativas de professores para o uso de robótica na Educação Infantil; estimular entre as crianças, menores de seis, a relação de autoria com conhecimento; e popularizar Ciência e Tecnologia, estreitando os laços entre Universidade e Escola.

Entre os resultados, a professora Deise ressalta que o aprendizado por meio da natureza concreta da montagem e programação de robôs tem se mostrado eficaz, sendo que as crianças, até mesmo as mais novas, têm atribuído múltiplos significados para os objetos construídos (narram histórias, classificam, quantificam, descrevem movimentos, relacionam causa e efeito, formulam hipóteses para o funcionamento de cada componente.

“A construção do conhecimento para essas crianças nas oficinas tem se baseado na realização de uma ação concreta que resulta em um algo palpável: constroem um robô (essa construção é permeada por discussões de conceitos e levantamentos de hipóteses), elaboram uma sequência de ações a serem desempenhadas por esse robô (programação) no Legal e testam a programação a partir do comportamento do robô”, conta.

A partir do comportamento apresentado pelo robô as crianças avaliam se a sequência programada foi adequada ou não para que o robô apresentasse a sequência de ações pretendidas. Neste momento, as crianças se comportam como verdadeiros cientistas: avaliando, testando, comprovando ou refutando hipóteses.

É desenvolvida assim uma capacidade analítica de observação de fenômenos. Mesmo os mais novos adquirem noção de causa e efeito e de necessidade de adequar o que se faz de acordo com o objetivo pretendido.

“E o mais importante: essa alfabetização científica, concomitante a alfabetização em língua materna, não descarta ou renega a segundo plano a dimensão afetiva tão cara a esta faixa etária. Todo robô montado é batizado, com nome escolhido pela turma, personalizado com cores vibrantes e adereços alegres, tão característicos da Educação Infantil, além de ser sempre acariciado, abraçado e muito beijado”, diz a docente.

Há relatos de pais e professores acerca do aumento de vocabulário e capacidade analítica das crianças. No relato das crianças há menções sobre “Oba! Eu adoro fazer robôs” (Aluno de 4 anos), “eu quero mais aula de robótica” (aluno de 5 anos), “eu entendo a língua dos robôs”(aluno de 6 anos), “eu sei ensinar robôs” (aluno de 3 anos). Demonstrando a relação saudável entre alfabetização cientifica, alfabetização na língua materna e afetividade.

A participação das professoras no projeto está ajudando-as a desconstruir ideias como “ robótica é coisa de engenheiro”, e “tecnologia em sala de aula exige conhecimento elevado de informática”. Isso ao mesmo tempo que ajuda construir o conceito que “com material e metodologia adequados”, “fazer e programar robôs são atividades acessíveis” e a alunos e professores de todos os níveis de escolaridade.

A metodologia de formação de professores, para uso de robótica na Educação Infantil, desenvolvida neste projeto foi aprovada para ser apresentada no 6th WRE 2015 Workshop of Robotics in Education, em Uberlândia – MG dias | 28 e 29 de outubro de 2015  (http://www.natalnet.br/wre2015/). “Isto mostra que a comunidade acadêmica tem visto com bons olhos a iniciativa”, avalia a professora.

O projeto se iniciou como Extensão (com bolsa da Pró-reitoria de Extensão Universitária – PROEX) e agora envolve bolsista de Iniciação Científica da FAPESP.

O projeto foi viabilizado por meio de parceria com a empresa PETE Educação com Tecnologia que desenvolveu um Kit de Robótica (composto por peças, sensores, motores e controladores) e um ambiente de programação com interface muito amigável e acessível a crianças da faixa etária de 3 a 6 anos. O interesse pela parceria surge por se tratar de empresa 100% brasileira cujos produtos são desenvolvidos considerando pesquisas e especificidades do contexto educacional brasileiro. A plataforma denominada LEGAL interage com as crianças com termos como “por favor” e “obrigado”, além de ícones para caracterizar ações a serem desempenhadas pelo robô. Mesmo antes de serem alfabetizadas, na língua materna, as crianças já fazem leitura dos ícones e termos e programam de forma descontraída. Nestes termos a linguagem de programação apoia o desenvolvimento da linguagem, como expressão da língua materna brasileira, escrita e falada.

As crianças têm oficinas duas vezes por semana com duas horas de duração cada. Nestes encontros elas montam e programam robôs enquanto conceitos de comunicação, de linguagem, de matemática, de física, dentre outros são discutidos e hipóteses formuladas. Em cada um dos encontros há o objetivo de estimular as crianças a pensarem com o aparato de robótica, ou a pensarem sobre como ele funciona, ou seja, oferecer objetos concretos que estimulem as crianças a pensarem sobre o pensar e, dessa forma, testar hipóteses através da exteriorização das mesmas. O conceito de linguagem de programação nas oficinas é explorado relacionando-o a uma prática na qual as crianças “ensinam” os computadores que transmitem aos robôs.

A metodologia das oficinas se fundamenta no Construcionismo de Seymour Papert. A intenção é assumir o potencial de tornar a criança produtora, e não, apenas, consumidora de tecnologia digital, pois a construção e manipulação de robôs podem servir de plataforma para fazer conexões entre as áreas do conhecimento. Trata-se então de uma oportunidade de interagir com a tecnologia numa relação de autoria.

“Ainda dentro do escopo do projeto há a preocupação com as necessidades de formação de professores para atuarem no desenvolvimento das linguagens preconizadas para a Educação Infantil, tendo a robótica como prática pedagógica”, conclui Deise.

Mais informações sobre o projeto
deise@mat.feis.unesp.br
(18) 3743 1967

Fonte: UNESP Notíciashttp://www.unesp.br/portal#!/noticia/19191/projeto-programando-e-aprendendo-na-educacao-infantil-/